O Início na Gigante Financeira
Aos 23 anos, recém-formada pela Wesleyan University, a profissional adentrou o prestigioso escritório da BlackRock em Nova York com o sonho de conquistar Wall Street. Aos 28, a realidade era outra: um microfone, um ring light e a missão de empoderar mulheres através da criação de conteúdo. Essa transição marcante demonstra que o maior impacto nem sempre vem das maiores instituições.
A carreira em finanças começou em 2018, na equipe de Assessoria de Mercados Financeiros da BlackRock, onde aconselhava governos e bancos em questões financeiras complexas. Aos 23 anos, já analisava balanços e participava de decisões bilionárias. Após dois anos, migrou para um banco de investimento como trader de títulos corporativos, um ambiente de ritmo acelerado, alta pressão e trabalho complexo.
A Descoberta da Iniquidade e o Despertar para um Novo Propósito
Mesmo construindo um currículo impressionante em Wall Street, a pergunta persistente era: para que estou construindo tudo isso? Com acesso a conhecimentos financeiros que muitas mulheres jamais teriam, a proibição de compartilhar informações básicas era frustrante. A virada de chave ocorreu após deixar a BlackRock e trabalhar em um banco de investimento, onde desvendou uma disparidade salarial sistêmica. Centenas de funcionários negros, incluindo ela, realizavam o mesmo trabalho que seus colegas brancos, mas recebiam significativamente menos.
A coleta de dados, a documentação das discrepâncias e uma carta enviada à chefia de RH desencadearam uma revisão formal e a correção de remunerações, beneficiando centenas de funcionários negros. Apesar da vitória, o processo foi desgastante, com tentativas de desqualificar suas preocupações e alegações de que a remuneração já estava correta. Ser ignorada, mesmo diante de evidências claras, reforçou a decisão de não mais dedicar sua carreira a lutar por equidade em instituições que falhavam em reconhecê-la.
A verdadeira paixão não era escalar a escada corporativa, mas educar mulheres sobre finanças, beleza e bem-estar, incentivando-as a incorporar saúde e riqueza em todos os aspectos de suas vidas. O desejo era construir algo onde sua voz e valores não fossem negociáveis.
A Virada: Do Pregão ao TikTok
Em maio de 2022, o primeiro vlog foi postado no TikTok, inicialmente como forma de autoexpressão. Sem a pretensão de viralizar, a intenção era simplesmente ser autêntica. Vídeos do dia a dia como trader de Wall Street fascinaram o público, que logo passou a acompanhar também lições de vida, rotinas de beleza e dicas de bem-estar, elementos intrínsecos à sua identidade.
A paixão por beleza não era nova; a certificação em maquiagem e skincare veio no ensino médio. Na faculdade, era a pessoa a quem todos recorriam para maquiagens de formaturas e eventos. Ao iniciar a criação de conteúdo, não se encaixou em um nicho, mas se apresentou integralmente: uma profissional de finanças que também adora skincare, suco verde e um look bem produzido. O público cresceu rapidamente pela autenticidade.
O apelido “The Finance Baddie®” no TikTok, inicialmente um detalhe, ganhou força. Em um evento de networking em Wall Street, jovens profissionais a reconheceram e a apresentaram com entusiasmo, revelando que a admiravam não pelo cargo corporativo, mas pelo conteúdo criado em seu tempo livre.
Construindo uma Marca Multidimensional e de Confiança
Hoje, a marca se expandiu para parcerias em diversos setores: beleza, saúde, bem-estar, casa, cozinha, alimentos, bebidas, tecnologia, moda e viagens. Essa amplitude reflete seu estilo de vida autêntico, integrando marcas genuinamente em seu cotidiano. Seja apresentando molhos em vídeos de preparo de refeições ou utilizando produtos de skincare que usa desde a infância, a confiança é a base de sua plataforma.
A estratégia é clara: “Alguns criadores têm um nicho. Eu sou o nicho.” O público a segue por diferentes motivos – sabedoria financeira, dicas de beleza, receitas, moda ou rotinas de skincare – mas o fio condutor é a confiança. Essa confiança é construída com valor que vai além de parcerias, como workshops de finanças, aulas e eventos como o “Rich Girl Reset” e o “Time Is Money”, focados em planejamento financeiro e maximização do potencial de ganhos.
Lições de uma Jornada Transformadora
A transição de Wall Street para a criação de conteúdo ensinou lições valiosas para quem considera uma mudança de carreira:
- A expertise é portátil: O conhecimento financeiro adquirido em Wall Street tornou-se a base credível de seu conteúdo.
- Paixões podem coexistir: Finanças, beleza e bem-estar se complementam, formando uma marca autêntica e multidimensional.
- Autenticidade gera confiança e longevidade: Parcerias com marcas genuinamente utilizadas e acreditadas solidificam a relação com o público.
- O timing é secundário à autenticidade: Começar mais tarde não diminui o impacto de uma presença autêntica e consistente.
- Valor além de transações: Oferecer educação real e construir comunidade diferencia criadores de influenciadores e torna parcerias significativas.
- Reputação é moeda: Como você se apresenta, seja em Wall Street ou como criadora, constrói uma reputação de qualidade, integridade e valor.
- Liberdade é a riqueza suprema: Trabalhar em seus próprios termos, compartilhar paixões e impactar vidas é um retorno inestimável.
- Construir algo novo é poderoso: Em vez de lutar contra sistemas falhos, criar sua própria plataforma é um movimento mais impactante.
Por que a Autenticidade Vence
A mudança de Wall Street para a criação de conteúdo não foi uma fuga, mas uma busca por um impacto maior. De uma voz em um sistema muitas vezes silenciador, agora alcança centenas de milhares de mulheres diariamente, ensinando sobre juros compostos e os últimos lançamentos de beleza na mesma conversa. Ela demonstra que não é preciso escolher entre ser financeiramente astuta e amar a beleza, entre ser estratégica e criativa.
A transição de aconselhar governos em decisões econômicas complexas para orientar mulheres na construção de riqueza, confiança e uma vida plena trouxe um impacto maior, um fulfillment mais profundo e uma liberdade inegável. Seu “Wall Street” pode ser qualquer lugar onde você se sinta subvalorizado ou limitado. Lembre-se: você tem permissão para ir embora, para construir algo novo e para se apresentar como seu eu completo, multidimensional e sem desculpas. Essa é a verdadeira riqueza, um retorno sobre o investimento que nenhuma firma de Wall Street pode igualar.


